Foi com esta frase que a minha filha chegou à nossa cama a meio da noite.

Durante o dia tinha ido com a mãe reunir na escola (uma escola de ensino articulado) para conhecer e perceber como iriam acontecer as coisas neste novo contexto.

Com tantas regras, obrigações e cuidados a ansiedade apoderou-se dela, as lágrimas começaram a cair pelo rosto de forma descontrolada enquanto o seu corpo se enrolava, encolhia e se fechava.
– Estou com medo, não sei se estou preparada! Repetia esta frase enquanto soluçava entre o choro.

Sentámo-nos os três na cama e conversámos, essencialmente fiz perguntas do género:
– O que especificamente te preocupa?
– Como podes antecipar essas situações para que não sejam um problema?
– Em que outras situações já tiveste desafios desses? Como os ultrapassaste?

As preocupações maiores eram:
– São as máscaras… e se elas acabam e eu não tenho mais?
– São os pavilhões… e se me engano e vou parar a outro lado?
– E o gel? e se acaba o gel?
– E as minhas amigas como vou brincar com elas com tanta regra?
– E a distância… e se me distraio e me aproximo demasiado?

Este retorno está envolto em medo, insegurança, ansiedade, controlo… tudo o que as crianças não deveriam sentir numa escola enquanto aprendem, convivem e crescem socialmente.

Dois pontos que gostaria de te falar enquanto Pai.
1. Sabes como os teus filhos se estão a sentir relativamente a este “anormal” regresso à escola? Já falaste com eles?
Se não falaste, fala. Pergunta, procura perceber como se estão a sentir e como poderás ajudar.

2. Assim que ele começar a falar sobre os seus medos não desvalorizes, não encontres as soluções por eles e não menosprezes as suas emoções. Ajuda-o, com perguntas, a encontrar as suas próprias respostas percebendo como podes ajudar.

Este é um período importante para estares presente, para acompanhares os teus filhos, estares atento aos sinais e ajudar com o suporte emocional que for necessário.
É igualmente uma boa altura para criar laços fortes e duradouros com os teus filhos, entre a familia.

Estejamos presentes, conscientes e disponíveis para os ajudar.

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