Não estava preparado.
Esta semana, pela primeira vez a minha filha disse-me para não a chatear.
As suas palavras foram curtas, objetivas, diretas, frias, conclusivas como o som do martelo que o Juiz bate no final de ler a sentença e dar por concluída a sessão.
Fiquei paralisado, sem reação. Virei costas e sai do quarto dela.

Noutros tempos teria explodido. Teria elevado o tom de voz, teria perguntado se ela sabia para quem estava a falar, teria pedido “respeitinho”… enfim teria imposto uma versão de autoridade (minha) e de subserviência (da minha filha) para deixar claro que ela não pode falar assim para o pai.

Actualmente, prefiro não reagir “a quente” manter a calma e tomar consciência do que está a acontecer.
Respeito e amo demasiado a minha filha para pretender a sua subserviência. Aceito que ela, como qualquer um, pode ter um dia com menos paciência, ela, como qualquer um, pode achar que já chega e pode dizer basta. Mesmo para o pai.

Agora, percebo bem porque me comporto desta forma, tem que ver com o percurso e o desenvolvimento que tenho vindo a fazer internamente.
Pergunto-me mais sobre o motivo pelo qual, no passado, escolhia comportar-me de forma agressiva, quebrar toda e qualquer ligação com os meus filhos, impor disciplina e autoridade em vez de compreensão e amor, em vez de respeitar a sua integridade, em vez de criar laços que estão e estarão sempre na base da nossa relação.

Desempenhamos um papel que certamente nos foi e é “ensinado”, estimulado e aplaudido como o pai que sabe impor regras, o pai que sabe impor educação, o pai que sabe impor autoridade o pai que impõe a ordem.
Essas regras, educação, autoridade ou ordem não se impõem a um filho ensinam-se, explicam-se e principalmente praticam-se com autenticidade e com respeito pelo outro lado.
Tendo bem presente que “o outro lado” ou seja o lado do nosso filho, tem exatamente o mesmo valor do nosso.

Artigos Relacionados

“Já te disse 500 vezes!”

“Já te disse 500 vezes!”

Num daqueles momentos que todos conhecemos enquanto pai, disse para a minha filha:- Já te disse 500 vezes…A minha filha, que já percebeu como isto funciona há muito tempo, respondeu:- Pois pai, aparentemente não está a funcionar pois não? Provavelmente muitos pensarão...

Onde nós, os pais, temos mais dificuldade

Onde nós, os pais, temos mais dificuldade

Pedimos desculpa, procuramos conexão, observamos e depois? Depois o que fazemos? Depois vem o ponto onde nós, os pais, temos mais dificuldade… Dizer o que sentimos. Entram em ação uma série de crenças, capas, máscaras e ideias que nos afastam (homens e pais) de dizer...

A última vez

A última vez

Existem coisas que acontecem pela última vez. Esses momentos acontecem todos os dias com os nossos filhos.E nós não conseguimos prever quando isso vai acontecer, pois não? Quando será a última vez que a tua filha te chama para a ajudares a tomar banho?Quando será a...